Blog AMCC

15 ago

Como a inadimplência afeta as empresas?

 

Desemprego, desaquecimento econômico e descontrole das taxas de juros são itens de uma fórmula amarga, cujos efeitos são vistos na última pesquisa do SPC sobre crédito: o Brasil atingiu, em fevereiro de 2017, a assustadora marca de 58,9 milhões de inadimplentes (39,25% da população adulta).

A maneira como a inadimplência afeta as empresas é tão intensa e danosa que quase todas as organizações constituem, contabilmente, a chamada “provisão para créditos de liquidação duvidosa” (vulgarmente conhecida como “provisão contra calote”).

A razão da atenção especial a essa “conta” é que o não pagamento do débito inicia uma verdadeira via crucis aos departamentos de cobrança. Terceirada ou centralizada, as atividades de recuperação de crédito sangram os demonstrativos de resultados das organizações e trazem poucos resultados.

 

O VENDAVAL DA INADIMPLÊNCIA NA ECONOMIA NACIONAL

O aumento da inadimplência significa mais empresas arcando com o custo de produção de suas mercadorias sem, no entanto, encontrar em suas vendas os recursos necessários para neutralizar tais gastos. Começa então um perigoso ciclo de desequilíbrio na economia nacional.

Isso porque a desarmonia entre receitas e despesas implica, ao longo do tempo, na impossibilidade de que o comerciante reponha seus estoques, despertando a ignição das dificuldades financeiras, dessa vez, nos fornecedores, que ficarão com estoques encalhados.

Empresas-clientes e fornecedores, uma vez desequilibrados financeiramente, terão problemas para honrar compromissos com bancos/financeiras. E lá vai o círculo vicioso seguir seu rumo, como um tornado de “escala 5”, devastando tudo pelo caminho.

Por fim, bancos, empresas-clientes e fornecedores iniciam seus processos de reestruturação (demissões). Com menor percentual de população economicamente ativa, o consumo será reduzido ainda mais, realimentando o processo. Está formatado o cenário do caos.

Mas como a inadimplência afeta as empresas internamente?

 

O PROCESSO DE COBRANÇA/RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO

Cobrar os devedores é necessário para que a empresa não comprometa seu equilíbrio financeiro. O problema é que o processo de cobrança/recuperação de crédito, em si mesmo, também tem custos — que não são nada desprezíveis, podendo, inclusive, anular a vantagem em receber os valores devidos.

Segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito, o segmento de cobrança apresentou faturamento de R$ 3,63 bilhões, em 2016. Quem paga esse custo? Se você é head da área financeira em sua empresa, sabe bem a resposta.

Mas não pense que empresas amargam altos custos com recuperação de crédito apenas porque optam pela terceirização. Delegar essa atividade a um especialista ocorre justamente porque as organizações não têm estrutura adequada para prover resultados positivos no processo de cobrança de dívidas vencidas.

Os custos com call center são altíssimos e as taxas de conversão são ínfimas (em média, cada devedor recebe 10 ligações; geralmente, esse volume não se traduz em resultados satisfatórios). Em outras palavras, é preciso cobrar com um custo menor e mais assertividade. Até porque, quanto mais o tempo passa, menor a possibilidade de receber os valores devidos.

 

OS EFEITOS DA INADIMPLÊNCIA NAS EMPRESAS

Eis algumas das consequências da não confirmação dos recebíveis, as quais mostram um pouco de como a inadimplência afeta as empresas:

 

1. DESESTRUTURAÇÃO DO PLANEJAMENTO FINANCEIRO

O primeiro efeito do aumento da carteira de inadimplentes nos departamentos de contas a receber é a desorganização completa do planejamento financeiro, especialmente se a empresa não houver considerado a “provisão de créditos de liquidação duvidosa”.

A maneira como a inadimplência afeta as empresas se reflete no cancelamento de contratações, renegociação de contratos e suspensão de investimentos em tecnologia.

E o resultado desse engessamento corporativo é, evidentemente, perda de competitividade da organização frente aos concorrentes mais estruturados, amplificando ainda mais as dificuldades.

 

2. ATRASO NO PAGAMENTO DE FORNECEDORES

Um levantamento feito pela Serasa Experian apurou que, somente na capital paulista, foi constatado um aumento de 48% da inadimplência das empresas em menos de 1 ano (de março/2016 a fevereiro/2017).

O efeito iminente desse preocupante dado é que toda a rede de fornecedores dessas empresas também será vítima da inadimplência. Ainda que ela se recupere, os atrasos nos pagamentos de contratos macularão sua credibilidade, afastando bons fornecedores e comprometendo a qualidade da produção na companhia.

 

3. DEMISSÃO DE FUNCIONÁRIOS

Além da redução no consumo, o aumento dos custos financeiros (taxas de juros elevadas) e da mão de obra (salários crescendo acima da produtividade) tornam mais grave as dificuldades financeiras para os negócios. As empresas que mais sentem esses desvios macroeconômicos são as PMEs, dada sua estrutura financeira mais restrita.

Como a maioria das empresas inadimplentes são pequenas e médias (justamente as que concentram 53,5% dos empregos do país), um eventual movimento de reestruturações nessas companhias contribui para elevar as taxas de desemprego, intensificando a crise no país.

 

4. PERDA DE RECURSOS COM A ATIVIDADE DE RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO

Usar uma estrutura de call center para cobrar seus clientes, comprovadamente, envolve altos custos e pouca eficácia: apenas 16,9% das dívidas oriundas de crediários são pagas após as insistentes ligações aos devedores.

No caso de débitos decorrentes de cheque especial/empréstimos, esse percentual é de 24,2%. Por fim, o uso do telemarketing ativo para recuperação de crédito só alcança resultado em 29,1% dos casos — muito pouco para toda a energia desviada da empresa.

Então, terceirizar é interessante? Em geral, sim. Entretanto, é preciso fugir do óbvio (falaremos abaixo sobre isso): escritórios de cobrança tradicionais também cobram caro pelos seus serviços de contato com cliente, negociação e acompanhamento jurídico.

Caso não haja acordo, a abertura de ação judicial significa mais dores de cabeça, custos processuais e prazos alongados para recebimento do crédito.

 

5. DESVIO DE FOCO/PERDA DE ENERGIA COM A BUSCA DE REDUÇÃO NA CARTEIRA DE INADIMPLENTES

Quanto maior for a carteira de devedores, maior o esforço do departamento jurídico para estudar cada caso e acompanhar eventuais ações, o que tira atenção da área para elaboração de contratos e outras atividades mais próximas do core business da organização.

Da mesma forma, a mobilização do setor contábil/financeiro desvia o foco da empresa de suas atividades principais, promovendo uma desorganização estratégica difícil de consertar no curto prazo.

É importante destacar, entretanto, que a tecnologia trouxe novas soluções à área de cobrança e, atualmente, existem caminhos mais eficientes/menos custosos para minimizar as perdas financeiras, objetivando recuperar os valores em aberto.

Um exemplo são as plataformas de negociação online, utilizadas com alto índice de conversão por empresas. Trata-se de um ambiente que intermedia a relação entre empresa e inadimplentes, negociando o pagamento da dívida com desconto, tudo de forma automatizada.

 

Fonte https://bit.ly/2w8VTI7

Deixe seu comentário